O maior pecado do Departamento de Futebol do Sport foi agir com a emoção e não com a razão quanto a avaliação do elenco do Sport.
Emoção, por querer valorizar os jogadores que soergueram o Sport nos últimos anos. Razão, por não ter o discernimento de reconhecer a verdadeira qualidade de muitos desses jogadores, bons jogadores, sim, para a Série B.
Elegíamos, rotulávamos alguns jogadores do Sport como craques, como melhores do Brasil, pura piada. Bons na Série B em 2006, bons no Estadual. Encaixaram na Copa do Brasil em 2008, porém no pega para capar do Brasileirão dos pontos corridos, nada demonstraram, nenhum dos anos, nem em 2007, 2008 e nem em 2009.
Com essa supervalorização de jogadores de Série B, inflacionamos a folha do futebol, pagamos salários com valor acima da respectiva qualidade dos atletas e eternizamos atletas no atual elenco. Resultado, fechamos a porta para jogadores que realmente tinham qualidade para disputar a Série A e perdemos o fôlego financeiro para contratar atletas de peso e de qualidade.
Um exemplo clássico foi o caso de Paulo Baier. Baier tava carregando o time nas costas, como sempre o fez, no Goiás e agora no Atlético-PR. A torcida, pelo emocional, amor à Fumagalli, e até mesmo inveja do seu salário, perseguia-o. Paulo Baier perdeu dois gols contra Palmeiras, perdeu sim, tudo bem.
Contra o Palmeiras, Fumagalli, não perdeu nenhum. Por que é bom? Não, porque não teve qualidade técnica para sair da marcação do adversário; não perdeu porque se escondeu o jogo inteiro.
Só perde é quem aparece, quem está lá para conferir.
Quem foi o jogador mais caro do Sport em 2009: Paulo Baier R$ 120mil ou Fumagalli R$ 100mil?
Para o futebol brasileiro: quem é Fumagalli e quem é Paulo Baier?
Paulo Baier sempre foi o meu sonho no Sport. Fumagalli saiu da reserva do, rebaixado, Fortaleza. Um jogador que teve lampejos de bom futebol no início da carreira e “redescobriu” o seu bom futebol na SÉRIE B de 2006.
Outro caso de supervalorização financeira é o do zagueiro Durval. No Brasileirão, nunca passou de um zagueiro mediano, porém rejeitou um salário absurdo que o Sport ofereceu. Foi a maior besteira da vida dele e a maior sorte para o Sport.
Essa continuidade de atletas no elenco causa isso, supervalorização financeira do elenco. Jogadores começam a renovar contratos acima da sua qualidade técnica, inchando e inflacionando a folha.
Essa continuidade do elenco tem um lado positivo, o entrosamento, porém corre um sério risco do grupo se fechar e proteger os amigos, evitando dispensas. Vejo como um exemplo claro disso, o zagueiro César.
Será que uma gestão profissional iria manter um goleiro com Cléber por três anos no banco de reservas, podendo ser substituido por uma jovem revelação como o goleiro Saulo?
A grande importância de uma gestão de futebol profissional é evitar que a emoção fale mais alto na tomada de decisão. Evitar o apego aos atletas, agir com a razão, não com a emoção.
Em grandes empresas, funcionários antigos, com salários altos, são substituídos por funcionários novos e que podem produzir o mesmo, com salários menores.