A história do elefante é marcada pelo respeito com que eram vistos pelos homens do Oriente. Quando no século XVI os portugueses chegaram ao antigo Sião, hoje Tailândia, e depois deles os holandeses, ingleses e franceses, encontraram, na região, costumes e modos diferentes dos que prevaleciam na Europa. E levaram de volta consigo essas informações e as tornaram populares – como Marco Pólo (1254-1324) já o havia feito -, entre elas a de que por lá existiam elefantes brancos, mas em número tão reduzido que poucos podiam afirmar que já os haviam visto. Com respeito a esse fato eles acrescentavam uma revelação curiosa: a de que o rei local, quando insatisfeito com alguém da corte, presenteava-o com um desses animais considerados sagrados, passando a visitar o presenteado em horas incertas a fim de verificar pessoalmente se o bicho estava sendo tratado com a atenção necessária.

O homenageado, coitado, que por razões óbvias se vira forçado a aceitar o presente do rei, dali em diante fazia das tripas coração para manter o animal sempre limpo e enfeitado, e o que é pior, procurando satisfazer seu apetite de tamanho e peso equivalentes às quase dez toneladas de carne e ossos que carregava. Em razão disso a expressão “elefante branco” passou a simbolizar inicialmente o presente incômodo e indesejado que alguém recebe de algum engraçadinho, as coisas enormes e incomuns que ninguém sabe para que servem, como uma obra pública inacabada, por exemplo, ou o viaduto que liga o nada a lugar nenhum.

Em 2009, o elefante branco voltou à tona nas discussões sobre a Copa do Mundo em Pernambuco. Sobre o estádio em São Lourenço da Mata, já começa dando lucro. Não o lucro financeiro, mas o lucro social e a criação de uma nova alternativa para os pernambucanos que procuram moradia no Grande Recife, em decorrência do êxodo rural.

Para quem defende a Arena Coral como um “plano B”, temos que voltar à origem do termo “elefante branco” e observar, até hoje, se houve algum retorno à população com os investimentos e doações governamentais feitos para a construção e manutenção do Estádio.

Sobre uma possível pouca utilização do Estádio da Cidade da Copa, vamos comparar o Estádio do Arruda. Não vamos nem olhar para um passado mais distante, no qual o Estádio quase caiu por falta de manutenção, vamos focar apenas o ano corrente.

Em 2009, no Estádio do Arruda, o Santa Cruz disputou apenas 15 partidas oficiais como mandante: 11 no Pernambucano, 01 na  Copa do Brasil e 03 na Série D.  Para analisar melhor esses números, se todos os clássicos do futebol pernambucano tivessem sido disputados em um único estádio, seriam oito jogos, mais de 50% dos jogos do Santa Cruz no Arruda. Vale ressaltar que em 2009 não houve partidas decisivas no Estadual.

O estádio da Cidade da Copa não será um elefante branco. O elefante branco já existe, é o Estádio do Arruda, um patrimônio particular que não oferece nenhum serviço ao povo, nenhuma contrapartida social, não oferece nada que justifique um investimento público em um estádio particular.

O investimento em São Lourenço da Mata será muito maior do que a  reforma de qualque estádio, mas este investimento será integrado ao patrimônio público, para servir ao povo de Pernambuco, com oportunidades de esportes, cultura e lazer.

Felipe Gomes no Twitter
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