Por Henrique Caminha Borges
A situação em que o Sport chegou é lamentável e não tem essa de que não é hora de se atribuir culpa a ninguém. A verdade tem que ser dita e a culpa de tudo isso é da soberba. Soberba da diretoria!
A soberba é um dos pecados capitais, é o sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais,e a diretoria do Sport vem cometendo este pecado, desde a conquista do título que tanto nos honra que foi a Copa do Brasil em 2008.
Todos, inclusive os torcedores mais apaixonados, lembram que os méritos da conquista da Copa do Brasil são da raça e vontade dos jogadores, que já possuíam um certo entrosamento, haja vista que o clube vinha mantendo uma base desde a ascensão da 2ª para 1ª divisão.
Apesar disso e da pífia campanha no Brasileirão 2008, a diretoria do Sport fazia questão de propagar nos microfones das rádios locais que o time era de excelente qualidade, justificando a má campanha no Brasileirão com argumento de que houve um relaxamento natural da equipe.
Tais desculpas serviram para a diretoria também justificar para a torcida o porquê de não contratar reforços para a equipe e, pior, dizer que só perdiam jogadores para clubes rivais quando efetivamente não havia interesse pelo atleta, isso se referido aos jogadores que haviam sido anunciados como de interesse do clube, mas que preferiram ir para outro.
Ao final de 2008, época de eleições no Sport, só se ouvia que o grupo de Milton Bivar deveria continuar e pronto. Tratava-se de um verdadeiro dogma na Ilha do Retiro.
Não se questiona o trabalho realizado pela diretoria no biênio 2007/2008, bem assim no último ano do biênio 2005/2006, ao revés, foi um excelente trabalho, digno de elogios.
Mas o futuro do Sport que, segundo a própria diretoria, vivia um ano de ouro, deveria ser mais ousado e, principalmente, mais planejado.
O que se esperava da diretoria que assumisse o clube não eram as conquistas do passado, mas um planejamento para um clube que se encontrava em momento ímpar da sua história.
O que faltou ser dito e rebatido pela torcida que “cegou” para aplaudir a diretoria, foi que eles tinham que continuar para engrandecer ainda mais o Sport, e não continuar por que fizeram isso ou aquilo no passado.
O Sport inicia o ano com a base do ano anterior mantida, com os “reforços” de Paulo Baier e Fumagalli e o retorno de Daniel Paulista. A diretoria quedou-se inerte e, com a soberba que lhe é costumeira, classificou o time para as oitavas de final da Libertadores e conquistou o Campeonato Pernambucano.
Soberba mais uma vez sim! Pois fomos campeões pernambucanos contra adversários sem qualidade alguma e ainda assim o clube não apresentava futebol de qualidade, digno de um clube que disputaria a competição mais importante do seu calendário.
Os jogos da libertadores também não deixaram a torcida maravilhada, excetuando-se o jogo contra o Palmeiras (oitavas de final) e os jogos contra o Colo Colo e LDU. Os problemas do Sport – falta de qualidade na criação e arremate – sempre foram flagrantes, até para aqueles que analisam o futebol apenas com a paixão.
Em paralelo à Libertadores, tem início o Campeonato Brasileiro e o Sport mostra que seu futebol é lento, não tem criatividade e seu arremate é péssimo. A justificativa, lógico, fica para o fato de o Sport estar disputando a Libertadores e o Brasileiro simultaneamente.
O Sport é eliminado, continua demonstrando péssimo futebol no Brasileiro e a justificativa, agora, é o abalo sofrido pelos jogadores em razão da não classificação.
A competição nacional continua sem que o Sport desenvolva um futebol de qualidade e a diretoria, crônica esportiva e aqueles torcedores mais apaixonados, que não analisam o futebol com a menor racionalidade, dizem que os jogadores não desaprenderam a jogar e que por isso uma hora recuperaria o futebol.
Certamente os jogadores não desaprenderam, mas será que havia qualidade naquele time que sempre se destacou pela raça, força de vontade e entrosamento?
O problema do Sport nunca esteve no fato de os jogadores desaprenderem a jogar, abalo pela perda da classificação na Libertadores ou mesmo a saída do técnico Nelsinho.
Talvez apenas a diretoria não tenha percebido ou jamais tenha assumido que ao time do Sport sempre faltou qualidade, principalmente na armação de jogadas e no arremate ao gol e que os méritos do time sempre estiveram na força de vontade, entrosamento e, claro, um pouco de sorte.
A soberba da diretoria do Sport em não admitir a falta de qualidade no grupo, que sempre foi reduzido, fez com que o Sport chegasse a esta situação lamentável.
Sabemos que o campeonato é longo e que ainda há muito tempo para reverter esta situação, mas para isso será necessária a contratação de alguns jogadores de qualidade, incentivo à torcida para comparecer ao campo de jogo para apoiar o clube, seja através de redução do preço de ingressos, campanhas de sócio, etc.
Falando em campanha de sócios, o que mostra que a diretoria do Sport jamais se preocupou em planejar algo para o momento ímpar que o clube atravessou, além de não reforçar adequadamente o grupo, foi não planejar uma campanha para atrair os sócios para perto do clube e captar novos sócios.
Na Libertadores foi constatado que os sócios do clube não tem qualquer prestígio, pois para pagar mensalidade e adquirir ingressos foi necessário enfrentar longas filas, sem falar do resto que todo mundo já sabe…
De tudo isso fica a reflexão para aqueles que acham que são os únicos responsáveis pelo sucesso momentâneo de uma equipe, associação, empresa ou outra entidade e esquecem que para se atingir tal sucesso foi necessário um trabalho primitivo que lhe desse o mínimo de sustentação e que, por isso, não cuidam de planejar para melhorar e conquistar outros objetivos ainda maiores.
Pena que quem paga o castigo somos nós, que amamos o nosso Sport Club do Recife.
O artigo acima não implica, necessariamente, a opinião do Blog da SportNet.