Não há que creditar a queda de público tão somente ao preço abusivo dos ingressos, embora esse fator exerça grande influência na pouca presença dos torcedores na Ilha do Retiro.
Parece claro que a própria torcida está desmotivada e sem perspectiva para uma primeira divisão tão longa e carente da ‘emoção’ do futebol de verdade. Esse calendário comercial, moldado para a justiça do ‘planejamento’, como bradam os papagaios, matou um pouco do que deveria ser o futebol sulamericano e,sobretudo, o brasileiro.
Em um torneio com turno e returno, cada equipe joga 38 jogos. A favor, como dito, fica o lado comercial, o pragmatismo da organização. Por outro lado, no meio de tantos jogos, dilui-se o espírito da competição, ficando para o final os grandes jogos, rareados na obviedade sacal dos que chegam na frente.
Mais do que isso, os objetivos ficam longe, e a torcida se perde na imensidão do torneio. Que não se caia, porém, no erro de achar que a fórmula é de toda errada. Poder-se-ia ‘americanizar’ essa fórmula tão europeia, filha dum vício que importa tudo o que é dos outros, sem um crivo cultural.
O primeiro turno poderia dar ao seu primeiro colocado uma das quatro vagas na Libertadores. Só essa pequena alteração devolveria boa parte da emoção que se perdeu. Aqueles que gostam de ‘poupar’ elencos, correriam mais riscos. Outra opção seria fazer um playoff no final do returno, entre os quatro primeiros.
Quanto ao critério da justiça, baluarte maior dos defensores da fórmula gringa, que se faça justiça! Ora, se a equipe é mesmo a melhor, que prove isso nos pontos corridos, e ratifique no mata mata, que tem a qualidade necessária pra levantar a taça! Existirá justiça maior?
Que chamem o torcedor de volta ao futebol, e devolvam-lhe o sentimento e a emoção de outrora.
Do contrário, sabe-se que a realidade não será muito diferente do que se tem hoje: público na média medíocre, com a alternância para os jogos de maior atenção. É a infeliz realidade de uma fórmula importada da Europa, que vive uma realidade completamente diferente da nossa, em todos os sentidos.
Falou o Leonino: Arthur Telles